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Conpresp veta mudança nas regras de ocupação do entorno do Ed. Louveira

Atualizado: 14 de fev. de 2020


Imagem de Danilo Verpa, para a Folha de São Paulo

Que alívio ver que a cidade ainda mantém alguma racionalidade no que se refere a sua expansão. Hoje (10/12/19), o Conpresp vetou, por 8 votos a 1, a mudança nas regras de ocupação no entorno do Edifício Louveira, projeto de Vilanova Artigas e marco da arquitetura modernista na cidade de São Paulo, e da Praça Vilaboim, onde o prédio está localizado. O Louveira é tombado desde 1992 e a praça, desde 2007.

O que estava sendo reivindicado ali era a permissão para construir, em terreno contíguo ao Louveira, onde hoje está um antigo casarão da primeira metade do século passado, um edifício de nove andares. A cota máxima permitida ali, pelas regras atuais do tombamento, é o equivalente a uma edificação de dois pisos. Alterada a regra, seria permitido cercar o Louveira com prédios de 9 andares. Além do terreno foco do pedido, à rua Piauí, a regra necessariamente valeria para os terrenos a sul do Louveira, também ocupados por edificações de baixa cota: um predinho na esquina da rua Tinhorão e o casario dessa mesma rua, estreita e ainda mantendo os sobradinhos originais da metade do século passado. Tudo isso estava por vir abaixo (o que engoliria a própria rua, que teria como ocupação urbana ser fundo de prédios de luxo, modelo de deterioração já visto em outros bairros da cidade).

A decisão firme do Conpresp não apenas detém um ato de selvageria urbana, preservando um dos pontos mais marcantes da nossa arquitetura do século 20, mas leva à reflexão de todos sobre a cidade que queremos.

São Paulo parece estar sob uma permanente ameaça de xangaização, de passar pela devastação pela qual passou a cidade chinesa, que teve destruídos bairros inteiros em nome de uma modernização intensa, lá imposta pelo Estado. Os ganhos dos chineses estariam em uma aparente equiparação tardia à modernidade.

Aqui, nossa xangaização tupiniquim convergiria para um único lugar: os bolsos gordos dos especuladores imobiliários, sem qualquer compromisso com a cidade, à margem de qualquer perspectiva de desenvolvimento urbano racional.

A cidade conseguiu um tempo para refletir. Que o faça. Que sejam bem-vindos os projetos de modernização, os de expansão, os de inovação. Mas que jamais esqueçamos de pensar a cidade que somos, acima dos lucros de poucos e focando nos ganhos de todos. (Texto de Jayme Serva, escritor, roteirista e morador do Ed. Louveira, Praça Vilaboim)


Foi realmente um triunfo histórico, mas foi da população, da sociedade civil organizada, das entidades, como o Docomomo, que se manifestaram e interpuseram recursos, dos arquitetos do DPH, que conseguiram apresentar para o conselho a real situação da praça do Louveira e dos danos que a mudança de gabarito acarretaria. Sem luta, lamentavelmente, teríamos sido engolidos e a cidade sairia perdendo, só ganhariam os poderosos das incorporadoras, assim, o que aprendemos é que temos que ser vigilantes e atuantes se realmente queremos deixar uma cidade melhor para nossos filhos.


Arthur Nestrovski, diretor Artístico da Osesp e morador do Louveira



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Folha de São Paulo, 09 de dezembro de 2019




















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